Como Eu Era Antes de Você - Jojo Moyes (Editora Intrínseca)

TALVEZ TENHA SPOILER


Ótimo, mas...

Não sou muito de ler histórias de romances, mas confesso que fui pega de jeito por Como Eu Era Antes de Você. Achei os personagens bem reais e a construção do livro é bem satisfatória. A história traz um assunto tão denso, tão polêmico,sobre o qual é importante discutir. A leitura do livro nos faz refletir sobre a vida e nos ajuda a enxergar o ponto de vista do outro, a nos ver no outro. O final, talvez, não agrade a todo mundo, pelo menos, eu não me agradei tanto assim... Às vezes, a ideia de que o amor não vence realmente tudo é um verdadeiro tapa na cara...

Um ponto positivo do livro é ver a perspectiva de um cadeirante. Para um pessoa em cadeiras de rodas, qualquer obstáculo é uma muralha. As cidades, infelizmente, não são pensadas pra que todos as usem de maneira segura e independente. Vivi na pele, por alguns meses, o que é ser cadeirante e conheci todas as dificuldades atreladas a essa realidade. Desde então, defendo com unhas e dentes o direito à acessibilidade, tanto é que meu TCC foi nessa área (e morro de orgulho dele). Precisamos nos conscientizar de que os ambientes devem ser construídos para que todos os usem com total independência, cadeirantes, cegos, surdos, idosos, obesos, todos. Qualquer pessoa tem direito de se locomover dentro de sua cidade, dentro de suas próprias casas com independência e dignidade E este é um ótimo assunto que Como Eu Era antes de Você levanta.

Minha ressalva quanto ao livro é que a ideia de felicidade que ele passa é um pouco, digamos, "perigosa". A ideia de que felicidade é apenas sentir prazer. O livro inteiro nos passa a ideia de que a vida da Louisa foi um desperdício por ela não ter viajado, não ter se arriscado, por ter feito "tudo certinho". A Louisa teve a vida que poderia ter tido na realidade em que estava inserida e ela sempre teve tudo de que precisava: uma família linda, unida. Sim, sei que ela tem suas diferenças com a mãe e, principalmente, com a irmã, mas em que família não se tem atrito? Mas enxergo além disso, desses conflitos "comuns", enxergo o amor que aquele lar da família Clark tem durante toda a narração da história. Não acho que é crime, muito menos desperdício viver pra quem a gente ama, não, não é de maneira nenhuma. Sim, concordo que é maravilhoso ter a oportunidade de viajar, conhecer o mundo, conhecer novas culturas (que é um sonho meu, aliás) e viver aventuras, mas se a vida nunca lhe proporcionar isso, paciência! Se você está cercado de gente que te ama e que você ama, tudo certo! É o que importa! De verdade.

Essa mesma ideia de que "viver é se aventurar" reflete na vida de Will também. Ele está preso numa cadeira e "não pode" mais viver aquelas aventuras, então mais nada vale a pena, nada mais importa. Mas é importante o final ter sido como o escolhido, sabe? Nos força a enxergar mais pontos de vista, não é? Nos faz ver o quanto o Will sofre e o que ele sente é genuíno. O Will é completamente humano e isso é a mais importante mensagem que o livro passa.

Enfim, o livro é bom, vai te passar uma boa mensagem, no final das contas. Vale a pena ler.


Tem mais uma coisa! Queria abrir o P.S. antes de terminar essa postagem. Assisti ao filme antes de ler o livro e isso não estragou minha leitura. Pelo contrário, adorei o filme quando o assisti, no entanto, ao ler o livro, achei a Louisa do filme muito caricata. Sim, a Louisa usa roupas incomuns e é uma pessoa animada, falante, mas não parece uma "criança que cresceu demais" como a Louisa do filme. Como sempre, o livro é melhor que a adaptação.

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