Persuasão - Jane Austen (Editora Martin Claret)
Lento…
Persuasão conta a história
da Anne Elliot, que tem os familiares mais malucos e menos empáticos que se
pode imaginar. Sir Walter, pai de Anne, tem o título de nobreza de baronete, do
qual se orgulha muito. Outro motivo de imenso orgulho a Sir Walter é também a sua boa aparência física e a de sua
filha mais velha, Elizabeth, que nada mais tem a oferecer, que não uma bela
face. Anne tem ainda outra irmã, Mary, que é casada com Charles Musgrove, rico,
porém sem nenhum título de nobreza. Mary tem sérios problemas de atenção e
apenas Anne consegue ter paciência com seus dramas pessoais.
No início do livro, apesar
de todo o prestígio social, a família de Anne passa por graves problemas financeiros.
O que obriga Sir Walter a alugar sua luxuosa propriedade de Kellynch Hall. Com
isso, ele e Elizabeth mudam-se para Bath, uma cidade do interior, onde o custo
de vida é bem mais baixo, não precisando eles, dessa forma, abrir mão de seu
antigo estilo de vida completamente. Enquanto a Anne, ela vai passar um tempo
com Lady Russel, uma vizinha em Kellynch Hall e a quem Anne dedica um amor de
filha.
Em certo ponto da história,
a Anne vai passar um tempo na casa de sua irmã Mary. Lá, Anne acaba reencontrando
um antigo amor, o capitão Wentworth. Anne, apesar de tê-lo amado de todo o coração
(aliás, de ainda o continuar amando), havia acabado o relacionamento com
Wentworth há oito anos por conselho de Lady Russel e por pressão da família. E,
é a partir deste ponto que se desenrola a história, a Anne vai ter que
controlar e entender seus sentimentos, enquanto assisti a Wentworth cortejar
outra moça. Anne também terá que lhe dar com a chegada inesperada do primo, Sr.
Elliot, herdeiro de toda a fortuna de seu pai e enfrentará a influência de Lady Russel
para que ela ceda aos encantos do primo.
Persuasão é um daqueles
romances em que quase nada acontece. Razão e Sensibilidade e Orgulho e
Preconceito tem também esse quê de devagar e sempre. É como se a Austen não
tivesse pressa alguma em nos contar a história, mas nestes dois romances,
diferentemente de em Persuasão, em um dado momento, acontecem coisas
surpreendentes e a gente descobre que aquela vagareza era necessária para nos
fornecer elementos que cominavam naquele ponto. Em Persuasão, nada acontece. O
final surpreendente simplesmente não chega. Acontece o que deve acontecer.
Mas, Persuasão tem seu
ponto forte, vamos fazer justiça, não é? Afinal, Jane Austen é Jane Austen. Os
dois últimos capítulos do livro valem todos os anteriores. Como disse, não acontece
nada diferente do imaginável, mas posso pontuar duas passagens interessantes: a
primeira é a conversa entre Anne e o capitão Harville, um personagem secundário
no romance, momento em que eles discutem a cerca dos sentimentos femininos e
masculinos. Nesta conversa podemos ver os pensamentos bem progressistas da
Austen pela voz da Anne quanto a posição das mulheres na sociedade; já a
segunda é a carta de Wentworth para Anne, não posso dizer o conteúdo, pois,
dessa maneira, eu estaria entregando o final da história, mas é uma das cartas
mais lindas que li em um livro...
Enfim, a leitura de
Persuasão vale a pena, pois, afinal, é um Jane Austen. Os capítulos se
arrastam, mas os finais trazem um conteúdo que valem o livro inteiro.



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