A Mulher do Viajante no Tempo – Audrey Niffenegger (Editora Suma das Letras)
*ATENÇÃO: pode conter spoilers*
Confuso
e melancólico, mas não de um jeito bom
Sabe aquelas raras ocasiões
em que a adaptação para as telinhas é melhor do que o próprio livro? Pois é,
esse é o caso do A Mulher do Viajante do
Tempo. A adaptação, não sei por que, saiu no Brasil com o nome de Te Amarei para Sempre. Assisti ao filme há
muito tempo e lembro que gostei muito. Recentemente descobri que ele é a
adaptação de um livro e logo corri desesperada para lê-lo. A decepção foi grande. A história, como romance,
não fluiu tanto quanto como roteiro de filme. Quase não há emoção. É melancólico
(principalmente a parte final), mas não emocionante.
O livro conta a história
de um casal, a Clare e o Henry. Os dois se apaixonam em circunstâncias
completamente incomuns. É que Henry tem uma anomalia genética que o faz viajar
no tempo. Henry viaja para passado e futuro, visitando ou revisitando momentos
importantes que viveu ou que irá viver. Clare conhece a versão futura de Henry quando
ainda é uma criança. Sua infância e adolescência serão marcadas pela presença
constante de Henry.
Já o Henry conhecerá
Clare, no presente, apenas quando ele tiver 28 anos e ela 20. Clare saberá
quase tudo sobre ele (o romance deles será bem confuso). Mas, Henry ainda não é
aquele que será no futuro. Clare terá que ter paciência para que o
inconsequente Henry do seu presente se torne o homem de suas memórias.
Bem, é isso. O livro é uma
confusão. Vai e volta no tempo, contando o drama do casal. Tem horas que
simplesmente não se entende o que acontece, sobretudo no começo. A história é
contada tanto da perspectiva do Henry como da de Clare. Se não fosse o início
de cada trecho dizendo quem é que está falando, tudo pareceria a mesma voz. Não
existe diferença entre discurso de Henry e o de Clare. Tudo bem, eles são almas
gêmeas, mas eles não são a mesma pessoa, não é? Não sei se é uma falha da
tradução, mas tudo parece ser contado da perspectiva da mesma pessoa. Só lendo
o texto original para saber...
O livro é imenso para a
pouca história que conta e talvez, as quatrocentas e poucas páginas poderiam ser
resumidas em menos de duzentas. Por vezes, em vez de ter a sensação de estar
viajando no tempo junto com o Henry, eu sentia estar presa no tempo desses
dois. Ficava chato.
Outra coisa que achei
superesquisita é que, mesmo nunca fazendo nada em suas visitas à Clare
adolescente, o Henry passa a sentir desejo pela garota. Sim, ela será sua
esposa no futuro, mas, na ocasião, ela tem 13, 14 anos; e ele tem 30, 40. Não é
ser moralista, mas convenhamos, ela tem apenas 13, 14 anos... É, no mínimo,
estranho.
Outra coisa que fiquei inconformada
foi como o Henry conseguiu nascer. Vai ter um momento que Henry e Clare tentarão
ter filhos. Ela consegue engravidar, mas acaba abortando todas as crianças,
porque simplesmente todos os descendentes de Henry terão o mesmo problema genético
e viajarão no tempo mesmo dentro do ventre da própria mãe. Depois de inúmeros
abortos (que é de um sofrimento de dá dó), um médico descobre como fazer os bebês
ficarem durante toda a gestação dentro da barriga de Clare. Ela faz um
tratamento imunológico. Até aí tudo bem, mas fiquei pensando: como o Henry
nasceu? Por que o Henry não viajou no tempo dentro da barriga da mãe dele? Ele
adquiriu uma doença quando criança que mudou os seus genes? Isso me incomodou.
Ficou sem explicação.
Enfim, A Mulher do Viajante
no Tempo não foi meu pior livro, mas também não está na lista dos melhores. A
premissa da história é ótima e promete ser envolvente, mas seu desenvolvimento
deixa a desejar. Além das falhas mal explicadas. Se recomendo a leitura? Deixo
por sua conta em risco! Já vi gente que morre de amores pelo livro. Quem sabe
você não seja um.



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