O Milagre da Manhã: método interessante, o propósito, nem tanto...
Título: O Milagre da Manhã |Autor: Hal Elrod | Tradutores: Marcelo Schild e Patrícia Azeredo | Editora: Best Seller | Ano: 2018 | Nº de Páginas: 196 | Livro Físico | Nota: 📖📖
Li O Milagre da Manhã por indicação de uma amiga. Não sabia do que ele falava quando chegou em minhas mãos. Logo descobri que se tratava de um livro de autoajuda, um gênero que já li bastante e que tenho até algumas boas indicações a fazer. Mas O Milagre da Manhã não me conquistou o coração e eu vou te dizer por quê. No entanto, antes vamos falar um pouco sobre o lado bom do livro, porque eu acho que tudo na vida tem um lado positivo, né?
Sem dúvida, é maravilhoso o incentivo a dedicar um tempo diário para si mesmo, para meditar, fazer exercícios, ler e escutar ao próprio silêncio que o livro propõe. Num mundo com “cada vez menos contato humano”, construir uma ligação íntima consigo mesmo talvez seja a chave para mudar nossa realidade. Mas, é aí justamente que o livro peca: a construção do relacionamento com o eu não serve para uma mudança no exterior, para quem está do lado e ao redor também.
A mudança que o autor propõe é extremamente individualista, incentivando até mesmo uma competição desenfreada entre as pessoas, dividindo-as em “medíocres” (sim, ele usa essa palavra o livro inteiro) e de sucesso, com até percentual para isso, 95% e 5%, respectivamente. Sucesso, para o autor, é ser “nível 10” em todas as áreas da vida: na financeira, na profissional, na romântica, etc. Resumindo, a proposta é ser um super-herói! Fora isso, a ideia de que é necessário chegar em um patamar em que “a vida não seja uma luta” é algo utópico, não acham? Não querendo ser pessimista, mas já sendo (ou sendo realista), a vida é uma luta diária, nem mesmo os super-heróis escapam dela.
Então, tudo bem ESTAR nível 10 nos relacionamentos, nível 5 no financeiro ou nível 0 no profissional. A vida é feita de altos e baixos e de equilibrar pratos de forma constante. Os níveis vão se alterando e modificando com o tempo em cada área da vida, o que importa é aprender com ela.
Enfim, O Milagre da Manhã tem seu lado bom, que é o incentivo à conexão consigo mesmo, mas o porquê passar por esse processo que ele oferece é algo pesado demais para lhe dar. Competitividade desumana e instinto de superioridade entre as pessoas nunca nos levou a um bom lugar, não é?
Se eu indico a leitura? Só se for cheia de pensamento crítico!



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