A Amiga Genial: tocante e forte.

Título: A Amiga Genial: Infância, Adolescência |Autor: Elena Ferrante| Tradutor: Maurício Santana Dias | Editora: Globo Livro (Selo Biblioteca Azul)| Ano: 2011 | Nº de Páginas: 280| Livro Digital | Nota: 📖📖📖📖 📖
A Amiga Genial, com toda a certeza, se tornou uma das minhas leituras favoritas da vida. A escrita da Elena Ferrante é de uma sensibilidade sem tamanho, difícil até de explicar. A história de Lila e Lenu nos é tão bem contada, que nos transporta para a Nápoles do pós-guerra, e nos faz sentir o mesmo misto de sentimentos contrastantes de impotência e de fé em sobreviver e transcender àquele ambiente cheio de miséria e violência que as personagens sentem.
O livro se inicia com o filho desajustado de Lila batendo à porta da amiga de infância de sua mãe, a Lenu, que, por sua vez, é a narradora da história. O homem está desesperado, sua mãe simplesmente desapareceu. E quando digo desapareceu, é desaparecer mesmo. Não há nenhum sinal de que ela algum dia tenha realmente existido. Lila sumiu com fotos, roupas e qualquer outra prova material que atestem sua existência.
Isso já é uma amostra do quão espirituosa, para não dizer tinhosa, é esta mulher. No entanto, a Lenu não vai deixar barato. Ela não é amiga de Lila à toa. Ela não vai deixar a Lila desaparecer assim, por puro capricho, e roubar-lhe uma das partes mais importantes de sua vida (se não a mais importante): a amizade delas e suas lembranças.
Lenu decide escrever um livro de memórias, contando a história de ambas. E isso também nos revela outro ponto importante dessa relação: o fascínio pela escrita, e pelo estudo em geral, que ambas nutrem e a competitividade tão marcante nessa amizade. Assim, ao longo desse primeiro livro, Lenu vai contar a sua infância e adolescência com sua melhor amiga, Lila. A narrativa trata da miséria e da violência que ambas vivenciaram, dos sonhos e da sede de conhecimento que permearam os seus seres. O quão uma influenciou a outra nas escolhas e decisões que tomaram.
A relação dessas meninas não é perfeita, elas se amam e se odeiam ao mesmo tempo. E não é diferente para o leitor. Ora nós as admiramos, ora perdemos a paciência com elas. Lila, apesar de forte e cheia de determinação (além de ser brilhante, né?), é por vezes muita má com a amiga. Já a Lenu, é extremamente dedicada em tudo o que faz, nos estudos e nas relações que constrói, mas é autodepreciativa e sente muita inveja da Lila.
E, por falar em inveja, esse sentimento é talvez o gás dessa amizade, e da vida dessas meninas. Lila sente inveja das oportunidades e da doçura de Lenu, e esta sente inveja da inteligência e da confiança em si mesma e da determinação daquela. Essa competitividade velada, que por vezes as afasta uma da outra, é também o que as faz correr atrás de seus sonhos e de uma vida melhor.
Enfim, essa resenha já está imensa, você é um(a) guerreiro(a) de ter chegado aqui. E, olha, que ainda tenho a sensação de que eu poderia escrever mais umas dez páginas sobre esse livro de tão tocante que ele foi para mim. Preciso (desesperadamente) ler os próximos, algo que pretendo fazer ao longo de 2019. Ferrante escreve para a alma. Sua escrita é simples, mas é verossímil, quase real. Nápoles praticamente se materializa diante dos nossos olhos. Resumindo, é fantástico! Se eu fosse você não perderia tempo para embarcar nessa leitura!


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