A Revolução dos Bichos: tive medo à toa

Título: A Revolução dos Bichos | Autor: George Orwell| Editora: Companhia das Letras| Tradução: Heitor Aquino Ferreira | Ano: 2007 | Nº de Páginas: 152 | Livro Físico| Nota: 📖📖📖📖
A Revolução dos Bichos passou meses sendo retirado da estante para, em seguida, ser devolvido, porque eu nunca conseguia criar coragem para lê-lo. O motivo? 1984. Não que essa tenha sido uma leitura ruim, pelo contrário, 1984 é incrivelmente bom, maravilhosamente bem escrito e, por isso, desesperador. A narrativa é tão forte (e possível) que, depois de lê-lo, fui tomada por uma desesperança abismal na humanidade. Demorei para me recuperar. Caí numa daquelas longas ressacas literárias, sabe? Temia que A Revolução dos Bichos me fizesse o mesmo, mas não poderia estar mais enganada.
Apesar de tratarem do mesmo tema (uma analogia mais do que direta aos horrores que aconteceram na ditadura stalinista e a subversão total do comunismo), A Revolução dos Bichos é simples e didático (até porque era essa a intenção do Orwell ao escrevê-lo), e até que podemos considerá-lo leve, diferentemente de 1984 . É daqueles livros que a gente consegue ler numa sentada só, entende?
A Revolução dos Bichos narra a história de uma fazenda onde os animais, com a liderança dos porcos, tomam o poder e expulsam os humanos usurpadores. A ideia é que nenhum animal seja mais explorado. Todos serão iguais. Todos serão igualmente donos da fazenda. O fruto de suas labutas será totalmente em proveito da comunidade. Fazem até uma lista de mandamentos para estabelecer uma espécie de constituição. A ideia geral descrita nessa lista é não ser igual aos humanos. Mas isso vai dar errado, como é de se esperar. Afinal, “todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”.
A Revolução dos Bichos é uma leitura incrível (e necessária nesse tempo sombrio por que passa o mundo com discursos de líderes autoritários, independentemente da ideologia que sigam) e lamento ter um conhecimento tão raso sobre o aspecto histórico que ele retrata. Com um pouquinho mais de conhecimento sobre o tema, tenho certeza de que teria sido uma leitura muito mais proveitosa. Mas fica aí mais uma missão para adicionar na lista interminável de missões literárias para cumprir, não é isso? E pode até calhar numa releitura, o que valeria muito a pena!


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