Eu sou Malala: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã

Título: Eu sou Malala, a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã | Autor: Malala Yousafzai com Christina Lamb | Tradutores: Caroline Chang, Denise Bottmann, George Sclesinger e Luciano Vieira Machado | Editora: Companhia das Letras | Ano: 2013 | Nº de Páginas: 360 | Livro Digital | Nota: 📖📖📖📖📖
Eu estava no meu terceiro período da faculdade, quando vi as notícias que, lá do outro lado do mundo, uma garota havia sido baleada, porque defendia o direito de meninas estudarem. Lembro que isso me impactou bastante. É impossível se deparar com uma notícia dessas e não a comparar com a própria realidade. Embora, naquela época, eu ouvisse coisas do tipo “você nem precisa estudar, é só ir fazer a prova de saia curta” ou “se você der um sorriso, o professor te dá um ponto”, o direito de estudar nunca me foi cerceado. Senti-me solidária à Malala, porque não me vejo existir sem o estudo. É algo que nunca deveria ser negado a ninguém.
Acho que, desde então, Malala virou uma inspiração para todas as gerações de mulheres e meninas. Acho que todo o drama vivido por ela tenha despertado e mostrado a muitas de nós do quanto ainda estamos para trás. É um caminho sem volta. Hoje, eu jamais escutaria frases como as que escutei com um sorriso amarelo no rosto, como eu fazia à época.
Conhecer a trajetória de Malala pelo seu próprio ponto de vista é fantástico. É realmente inspirador saber que uma menina com apenas 11, 12 anos já escrevia para a BBC e lutava ativamente pelos direitos das mulheres, com o agravante de viver em um ambiente radicalmente opressor e fundamentalista. Malala inegavelmente sempre foi um prodígio.
Mas, Malala nos conta não só sua própria história, mas também a história do seu lugar de origem, o Vale do Swat: as ditaduras, as disputas políticas e o ambiente que possibilitou o surgimento de grupos extremistas como o Talibã na região. Malala nos mostra ainda que o Islã, como qualquer outra religião, prega o amor e o respeito à vida humana e que qualquer coisa fora disso é pura e simplesmente fundamentalismo religioso, uma armadilha, aliás, para todas as religiões.
A leitura de Eu sou Malala levanta inúmeras questões e é realmente transformadora. Pode até ser um clichê o que vou falar, mas esse livro deveria ser leitura obrigatória nas escolas (e na vida), pois nos mostra o quão ainda é injusto o mundo que partilhamos e ninguém, absolutamente ninguém, deveria ter paz de espírito enquanto ainda existir uma só criança no planeta com seu direito à educação negado.
Enfim, mais uma leitura incrível!


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