As Intermitências da Morte e a escrita peculiarmente incrível de Saramago




Título: As Intermitências da Morte |Autor:  José Saramago Editora: Companhia das Letras Ano: 2005 | Nº de Páginas: 208 | Livro Digital | Nota: 📖📖📖📖📖







Não foi a primeira vez que tentei ler Saramago, mas diferentemente da primeira, nessa eu consegui chegar ao final. O que me fez não terminar da primeira vez? Acho que a fase nebulosa (emocionalmente falando) que eu estava tendo na época foi o principal fator determinante para isso, fora que eu estava lendo um livro emprestado, demorando horrores para devolver para o dono, algo que não me sinto à vontade em fazer. No entanto, teve um outro fator, que também dificultou minha vida dessa vez, que é a peculiaridade do autor para pontuar e organizar o texto bem da maneira dele. Dá trabalho e até você pegar o jeito, custa bastante. E, se você for uma pessoa metódica como eu, sabe o quanto é difícil ler livro não divididos em capítulos, imagina se nem parágrafos ele tem? Pessoas metódicas piram com Saramago! Sério. 
Mas, tirando minhas peculiaridades como leitora (e pessoa estranha), Saramago é bom? Se analisar só por esse livro, já que ele é o único que li até agora, Saramago é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! Talvez ele destrua sua saúde mental (que a pessoa já tem precariamente) por te fazer mergulhar em questionamentos tão profundos? Sim, talvez ele o faça. Talvez ele te jogue numa daquelas ressacas literárias monumentais por que você precisa de tempo para digerir o que tem nele? Sim, talvez ele faça isso também. Porém a escrita, a mensagem, as reflexões são tão incríveis que vale a pena arriscar. Ao final, a gente tem certeza que vai querer ler cada linha que esse homem escreveu na vida. 
O livro é uma reflexão sobre a morte, essa que é a única certeza que a gente tem na vida. Ela é vista sob duas perspectivas: a primeira, é como ela é fundamental na sociedade, já que aparentemente tudo é organizado em torno de sua existência: economia, sistema de previdência, ciência, tudo. Essa parte é reveladora e a narrativa é empolgante e até divertida. Já a segunda, é morte vista da perspectiva individual e é nesse ponto que o livro se torna assustador e sufocante. A ideia de uma morte personificada, esperando ansiosamente pela nossa hora, acompanhando-nos a todo lugar, quase apaixonada por nossa vida, torna o livro quase uma história de terror. Dar-se conta de que a existência é hoje e não mais um dia, revela-nos o quanto somos frágeis, e efêmeros, e breves neste lugar. 
Pelo menos, foram essas as reflexões que As Intermitências da Morte me causou. E em você? E spor acaso você ainda não leu, leia. 

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