Mrs. Dalloway: aquela leitura infindável
Título: Mrs. Dalloway | Autor: Virginia Woolf | Tradutora: Denise Bottmann | Editora: L&PM | Ano: 2012 | Nº de Páginas: 224 | Livro Digital | Nota: 📖📖📖📖📖
Sabe aqueles livros que a gente assim que os acaba sente vontade de voltar ao início e ler tudo novamente, porque fica com a impressão de que não depreendeu tudo o que ele tinha para passar? Mrs. Dalloway é bem esse tipo de livro. Uma só leitura nunca vai ser o suficiente para extrair todo o significado que ele pode nos passar. E nem só uma releitura, viu? Mrs. Dalloway é aquele tipo de livro para ler em todas as fases da vida por que passamos, pois em cada uma delas, ele terá um novo sentido a dar, uma nova nuance a descobrir.
Apesar de ser uma leitura envolvente, ela não é fácil. Pelo menos para mim, não foi. Foi o meu primeiro contato com a escrita de Virgínia Woolf e com a técnica literária utilizada por ela. Mrs. Dalloway é escrito com um tipo de narrador peculiar, que eu vou chamar aqui de narrador “pula-pula” (lembrando que eu só sou uma leitora leiga, tá?). Durante a leitura do livro eu tinha a impressão de que os personagens estivessem brincando de passa-a-bola e só conseguíssemos acessar os pensamentos daquele que está com ela nas mãos.
Então, às vezes, a leitura pode parecer confusa, porque o narrador “pula-pula" muda de perspectiva sem nem mesmo nos avisar e a gente acaba lendo um tanto de frases para só depois descobrir que já é outro personagem que está “falando”. No entanto, depois de algumas páginas, já dá para acostumar e ficar mais atento às mudanças de vozes. E, de forma nenhuma, isso estraga a leitura, pelo contrário, acho que esse é um dos fatores que nos prendem a ela.
O pontapé inicial da história é Clarissa Dalloway, uma mulher já madura, que dará uma festa no final do dia, e que, durante os preparativos, começa a questionar sua vida e as escolhas que fez e as que deixou de fazer também, e onde elas a levariam. Mas, não pense que Clarissa seja alguém amargurada e que remói o passado. Longe disso, considero-a alguém que revisa o passado, mas se responsabiliza pelas escolhas que fez, ainda que elas não a façam feliz.
Assim, a partir de Clarissa, visitamos tantos outros personagens e é inevitável não se identificar com o que eles sentem e nem com como eles se sentem. De gente que só olha para futuro àqueles que só olham para o passado, todo mundo se vê um pouco nos sentimentos de Peter Walsh, Septimus Smith, Rezia Smith, Clarissa Dalloway e até mesmo Sally Seton, que aparece apenas no finalzinho. São personagens humanos demais para não se sentir empatia.
Mrs, Dalloway, apesar de ter sido uma das leituras mais trabalhosas que fiz em 2019, também é uma das melhores do ano e que, sem dúvida, dia desses irei revisitar, porque uma só leitura desse livro não é o suficiente para absorver todos os sentimentos que ele pode nos passar. Narra uma história sobre um dia corriqueiro de pessoas comuns, mas sem deixar de lado o mundo complexo e profundo que é cada um de nós. Indico Mrs. Dalloway a qualquer um!



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