Maya: o milagre da vida






Título:
 Maya | Autor:  Jostein Gaarder | Tradutor: Eduardo Brandão | Editora: Companhia das Letras | Ano: 2012 | Nº de Páginas: 384 | Livro Físico | Nota: 📖📖📖📖
📖 + 🧡






Eu tentei ler Maya por três vezes. Nunca consegui passar da página 100. A leitura simplesmente nunca fluiu, nunca engrenou, algo que era uma completa frustração para mim, já que Jostein Gaarder sempre foi um de meus autores favoritos da vida. Nenhum outro autor me fez enxergar com mais beleza a vida e a esse mundo, e por consequência me ajudou a ser mais forte nos momentos ruins, como ele. Eu queria verdadeiramente gostar de Maya, mas não rolava. 
No entanto, não consegui me desfazer do livro, tinha na cabeça que um dia eu ainda o leria, nem que fosse para dizer que era o único do Gaarder que eu não gostei. Ainda bem que assim o fiz. Antes de pegá-lo dessa vez (a quarta, no caso), fazia pouco tempo que eu tinha lido Uma Breve História do Mundo do H.G. Wells (tem impressão literária dele em algum lugar deste perfil), que dedica seus capítulos iniciais a como se deu a formação de nosso planeta e a como chegamos a esse mundo que em vivemos. Eu também estava lendo Sapiens do Harari (que pretendo fazer impressão literária em breve), que, da mesma forma, dedica-se a falar sobre o assunto, mas mais voltado a nossa própria espécie, é claro, como o próprio título sugere. Então, eu vi que estava na hora de ler Maya, que fala justamente sobre teoria da evolução, nosso surgimento como espécie, relatividade do tempo e coisas afins, mas cheio de filosofia no meio, daquele jeitinho pelo qual eu sou apaixonada. 
Dessa forma, já estando um pouco mais por dentro do assunto e devidamente interessava por ele, eu estava pronta para Maya, que conta a história do casal Frank e Vera, biólogos evolucionistas, que passaram pela dor de perder uma filha. Porém, essa história não é contada por eles, mas por um outro personagem: John Spooke, um escritor inglês, que também passa pelo drama de viver o luto. Spooke perdeu o amor de sua vida, Sheila, e ainda sofre intensamente esse vazio. O escritor irá refletir sobre a morte e a vida ao lado de Frank, enquanto este analisa as suas próprias perdas. 
Ao longo da história, ainda conhecemos o estranho casal Ana e José, que é a principal fonte de reflexões filosóficas do livro, pois eles têm a estranha a mania de falar frases soltas que meditam sobre o lugar em que vivemos e sobre a nossa existência, e sobre como o mundo parece ter sido feito para ter consciência de si mesmo. Se não fôssemos nós, alguma outra espécie acabaria, um dia, se dando conta de que existe (será?). Ainda há o detalhe de que Ana, que possui uma saúde muito frágil, parece familiar a todos que a conhecem. E esse mistério vai ser o responsável por nos instigar a pensar sobre o Tempo (personificado na figura do Curinga, que só enquanto eu escrevo esse texto é que me dou conta desse significado), e sobre como Ele é relativo, existindo sem existir, aprendendo e ensinando sobre tudo e sobre todos, escapando dessa realidade material como (quase) todos nós almejamos fazer algum dia. 
Escrevi em muitos post-its durante a leitura, fiz inúmeras marcações também, como há muito tempo eu não fazia em um livro. Olhei para dentro como só o Gaarder tem a habilidade de fazer. Que bom que não desisti de Maya! Então, meu conselho, além de lhe indicar a leitura de Maya (é lógico), é que sempre dê oportunidade a algum livro que um dia você tentou, mas que não vingou. Talvez, não tenha sido a época certa ou você não estava preparado para ele. Foram quatro tentativas até eu entender a poesia que é Maya. Não perca você também uma ótima leitura por ter tentado num tempo errado.

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