Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez (Editora D. Quixote)
Esse livro é uma obra prima. A escrita de Márquez é cativante e te permite ver, a cada linha, o passar do tempo e o delinear da história. O leitor consegue enxergar, claramente, os Buendía se multiplicando e a cidade de Macondo crescendo pouco a pouco, bem como ambas, a família e a cidade, declinar tão vagarosamente quanto surgiram.
O romance conta a história da família Buendía, que originalmente se constitui dos pais, José Arcádio Buendía (sonhador nato) e Úrsula (mãe bem pé no chão), e dos filhos José Arcádio (expansivo, e de certa forma, inconsequente), Aureliano (retraído e pensador, o oposto total do irmão) e Amaranta (que tem uma personalidade que vai sendo construída durante a história). A família Buendía vai crescendo em meio aos desarranjos da vida, a guerras e a um grande carma: a repetição de nomes e de personalidades que se ecoam e se contrastam, se opondo. São tantos Aurelianos e Josés Arcádios, que o leitor pode acabar se perdendo, mas em algumas edições já vêm a árvore genealógica da família Buendía, o que facilita muito na leitura do livro. Se você ler numa versão que não contempla essa árvore genealógica, ela é facilmente encontrada no Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cem_Anos_de_Solid%C3%A3o CUIDADO: SPOILER NO LINK).
Às sete gerações da família Buendía (sim, você vai acompanhar sete gerações, afinal, o título não é Cem Anos de Solidão à toa, né?), se juntam Rebeca, Fernanda, Pilar Ternera, Remédios, Pietro Crespi, Santa Sofia de la Piedad, Petra Cotes e Melquíades (que com seus escritos misteriosos tem papel fundamental no início e no fechamento do livro), que ajudam a escrever a história dos Buendía e de Macondo. Apesar de todo o livro caminhar para o final escolhido por Marquéz, ele é, ainda assim, surpreendente, embora não muito feliz.
Um ponto fortíssimo no livro é o papel fundamental e decisivo das mulheres nesta família, sobretudo de Úrsula, que mesmo centenária e de saúde frágil, se faz presente e de muita influência nos rumos da história. As mulheres escritas por Marquéz são fortes e complexas, sendo essenciais na história. Um ponto fraco (não literariamente falando, mas sim na leitura do livro para leitores distraídos como eu, por exemplo) é a repetição de nomes, mas que é facilmente resolvido com o uso da árvore genealógica já citada anteriormente.
Por fim, Cem Anos de Solidão é um livro maravilhoso, que vai vale muito a pena ser lido (com bastante calma, pra não confundir os Aurelianos e os Josés Arcárdios 😆), que vai te fazer questionar se destino realmente existe e vai te dar vontade de conhecer outros títulos do autor.



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