Divergente - Veronica Roth (Editora Rocco)


O que falar sobre Divergente? É um livro cheio de controvérsia e a gente pode ir do amor ao ódio durante a sua leitura. A história é bem interessante, mas sinto que a autora se perde um pouco dela na maior parte do livro, focando em um romance ultrarromântico e que cansa um pouco o leitor.

É o primeiro livro da trilogia, que conta a história da Tris Prior. Ela vive em uma sociedade que, em um tempo bem remoto, havia decidido dividir a humanidade em facções. Tais facções exaltam certas qualidades nas pessoas e elas têm o objetivo de acabar com as desigualdades, maldades e guerras humanas, ou seja, fazer com que a sociedade funcione da melhor maneira.

São cinco facções: a Abnegação, que exalta as pessoas altruístas e é a facção responsável pelo governo da sociedade; a Audácia, de onde pertencem as pessoas corajosas e que ficam responsáveis pela segurança da sociedade; a Erudição, que exalta a inteligência e são responsáveis, de certa forma, pela progresso da sociedade; a Amizade, que exalta a bondade das pessoas e, pelo que entendi, são responsáveis pela produção de alimentos e; por fim, a Franqueza, que exalta a sinceridade e a verdade (e, honestamente, não consegui identificar muito bem qual é o papel deles na sociedade).

Assim, essas facções têm o intuito de organizar e promover a paz para a humanidade. As pessoas nascem e crescem em uma certa facção, mas têm apenas uma chance de mudar para uma facção que mais se adeque à sua personalidade. Essa oportunidade é aos dezesseis anos, logo após um teste de aptidão que envolve injeções, simulação e alucinações. A Tris, até então da Abnegação, vive em um conflito interno, pois ela não se conecta, nem se adapta tão bem à facção de sua origem. E depois do teste de aptidão, a Tris se sente ainda mais confusa, pois o resultado do seu teste dá "inconclusivo", o que significa que ela é uma divergente. A Tris não faz a mínima ideia do que quer dizer ser uma divergente, a única coisa que ela sabe é que isto faz com que sua vida esteja em perigo e ela precisa esconder a sete chaves esse segredo.

A história principal é recheada de política, de luta pelo poder, e podemos discutir sobre a natureza humana, afinal somos naturalmente bons ou maus? Podemos discutir ainda sobre segregação, esteriótipos e preconceitos, será que conseguimos nos definir com apenas uma qualidade? Tudo isso deixa a história  muito empolgante, sobretudo no começo do livro. Nos primeiros dez capítulos, mais ou menos, você devora o livro. A história lhe envolve bastante, mas depois disso a autora deixa de lado esse enredo todo de política e começa a focar nos questionamentos da Tris de "Quem sou eu?" (o que no início do livro funciona, mas que depois te chateia um pouco) e; no romance dela com Quatro que, na minha opinião, às vezes, fica meio piegas. Isso dura quase o livro todo, onde acontece muitas coisas, mas o leitor não consegue avançar na história, porque não se consegue informações mais relevantes sobre a trama. A coisa esquenta de novo mais para o final, que é quando a Roth volta a focar no enredo principal e quando o leitor faz descobertas bastante relevantes como, por exemplo, porque é tão perigoso ser um divergente nesse mundo de facções. 

O livro acaba de uma forma satisfatória, e te deixa com vontade de ler o segundo da série. Não espere uma qualidade literária muito grande do livro. Podemos dizer que é um livro para entretenimento e que vai te divertir bastante. Mas só. Acho que é um livro para adolescentes e mais voltado para meninas, apesar de que tem bastante ação, o que pode agradar aos meninos também. Por fim, no geral, Divergente é um bom livro e que indico a leitura.

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