As Crônicas de Gelo e Fogo: A Fúria dos Reis – George R. R. Martin (Editora Leya)



Devagar no começo, mas depois te recompensa

A continuação de a Guerra dos Tronos vai te “matar na unha” de tédio, antes de chegar na parte que interessa da história. A sensação de ler o começo do livro é de que você não está saindo do lugar. É aquela velha calma do Martin de fazer as coisas acontecerem no tempo que elas precisam acontecer e não no tempo do leitor. Mas a leitura vale até o final e, além do que, já me contaram que o terceiro volume é o melhor da série, então já é motivo suficiente para terminá-lo!
Em a Fúria dos Reis, Westeros terá quatro reis declarados: em Porto Real, o bastardo Joffrey; no Norte, o honrado Robb Stark; no Mar Estreiro, o supostamente herdeiro de direito do trono, Stannis Baratheon; e, em Jardim de Cima, o vaidoso Renly Baratheon. Westeros está em guerra e cada um dos reis recorre aos meios que possui: Renly à sua simpatia, Robb à sua inteligência, Stannis à magia negra e Joffrey ao poder dos Lannister. As peças do jogo estão postas na mesa e salve-se quem puder!
Os capítulos continuam sob a perspectiva de um dos personagem, fazendo o Martin ter domínio de todos os lugares ao mesmo tempo. Nesse livro, temos dois novos personagens nos contando a história: o Davos, que faz as vezes de nos contar sobre o que acontece com Stannis Baratheon; e o Theon, do qual eu mal lembrava do primeiro livro, e que é um dos personagens mais antipáticos da saga.
Em relação aos capítulos, grande destaque têm os de Tyrion, que como Mão do Rei, vai ter capítulos espetaculares. Já os capítulos de Bran melhoraram consideravelmente em relação à Guerra dos Tronos, por toda magia e mistério que aparecem neles; os capítulos de Arya são mais irregulares, mas também são melhores do que os do primeiro livro; Jon e Catelyn mantêm a mesma regularidade na qualidade da leitura; já Sansa deixa de ser aquela menina mimada, e os capítulos dela agora são suportáveis, até legais, eu diria; por fim, os de Daenerys, que prometiam ser melhores, deixam a desejar. Minha sensação é que o Martin meio que deixou a khaleesi no limbo neste livro para decidir o que fazer com ela nos próximos, mas neles temos muitos “spoilers” do rumo que possivelmente a história vai tomar.

Enfim, A Fúria dos Reis é um livro um peculiar. Ele é bem monótono na sua primeira metade, mas a leitura compensa até o final, pois depois disso tudo acontece. Em relação ao primeiro volume da série, ele é muito mais sombrio, a fantasia com toques de terror fica escancarada neste segundo volume, o que faz do livro um pouco mais interessante que o primeiro, mesmo ele sendo mais vagaroso. Recomendo a leitura, sem esquecer-se de ter uma dose de paciência durante o processo.

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