Praticamente Inofensiva: Adams pesando a mão no No Sense







 Título: Praticamente Inofensiva |Autor:  Douglas Adams| Tradutor: Márcia Heloísa Amarante Gonçalves | Editora: Arqueiro| Ano: 2010 | Nº de Páginas: 223Livro Digital | Nota: 📖📖📖📖






Se me pedissem para descrever Praticamente Inofensiva em poucas palavras, eu o descreveria assim: uma loucura insana. Douglas Adams pesou a mão no “no sense” nesse último volume da série (pelo menos este é o último escrito por ele). Sério. O negócio é tão complexo, que a gente chega ao final e tem vontade de voltar para o começo para saber se realmente entendeu o livro. 
Nesse volume, Arthur Dent se perde de sua amada Fenchurch (aqui pra nós, o Adams nem se preocupa em explicar o que aconteceu. O que é uma pena, porque eu amo a Fenny). O inglês acaba perambulando pelo universo, perdido no tempo e no espaço, até que acha um planeta muito parecido com a Terra, onde fixa morada e se torna o fazedor de sanduíches oficial do planeta. 
Já Ford Prefect está em uma missão muito doida no edifício-sede da empresa que administra o famoso Guia do Mochileiro das Galáxias, da qual ele é funcionário. Prefect irá descobrir que o empresariado tem um plano maquiavélico para ganhar dinheiro (rios de dinheiro, na verdade), que envolve um looping infinito de viagens no tempo ou algo do tipo. 
E, por falar em viagem no tempo, Tricia McMillan, no intuito de “se encontrar”, se tornará a repórter viajante no tempo mais proeminente do mercado. Ela vai tentar de tudo para preencher o seu vazio existencial (de maneira catastrófica, aliás). 
O livro, como todos os outros, critica a sociedade com humor ácido (e muito no sense, é claro), sendo necessário, para entendê-lo, ler nas entrelinhas da narrativa. Praticamente Inofensiva discute, em especial, sobre: a usura humana, que passa por cima da ética em nome do dinheiro; sobre ser feliz (e sentir-se útil) trabalhando com o que se ama; sobre a dominação que a religiosidade ~desonesta~ impõe sobre a massa e, por fim, sobre escolher a maternidade (e a paternidade também) como uma forma de autorrealização e o quanto pode ser desastroso colocar nas costas de um serzinho toda essa responsabilidade. 
Enfim, o último livro escrito por Adams é o mais doido de todos da série. Confesso que não é o melhor dos cinco, mas vale a pena ler pelos temas abordados e pela loucura bem-humorada da narrativa. Agora só me resta mais um livro para finalizar as aventuras de Arthur Dent, que, aliás, não foi escrito pelo autor original, o que me deixa com uma pulga atrás da orelha, mas vamos lá mesmo assim! 

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