Ciranda de Pedra: a incrível escrita de Lygia

Título: Ciranda de Pedra | Autor: Lygia Fagundes Telles| Editora: Companhia das Letras| Ano: 2009 | Nº de Páginas: 223 | Livro Digital| Nota: 📖📖📖📖
Ciranda de Pedra foi meu primeiro contato com a escrita de Lygia Fagundes Telles, e nem preciso ler outro de seus livros para afirmar que ela é uma das mais incríveis escritoras que li. Lygia escreve com os pés na beirada do abismo da alma, descreve sentimentos humanos de forma tão clara, tão fiel, que acho impossível não se envolver com sua escrita.
Não vou falar que foi fácil. Foi um tanto difícil, porque vez ou outra achei a narrativa um pouco complexa, um pouco confusa demais, mas ela descreve fielmente a confusão pela qual a personagem passa e por isso ela faz sentido. Virgínia está sempre à beira do limite, a ponto de explodir e desmoronar a qualquer hora, e a escrita da Lygia reflete seu estado.
Virgínia é apenas uma criança quando vê sua família ruir e rachar. A separação de seus pais vai dividir a família ao meio: enquanto suas irmãs, Bruna e Otávia, permanecem com o pai; ela, Virgínia, fica com a mãe e seu novo marido e médico, Daniel. Virgínia vive a orfandade de pais vivos: sua mãe, com uma doença mental, vive em um mundo só dela a quem só é permitido habitar é Daniel. Já o pai a rejeita pelo simples fato dela existir e ela não sabe por quê.
Virgínia vai passar a vida tentando se encaixar em espaços que não são seus, que não lhe cabem. Primeiro, no mundo dos pais; depois, no mundo das irmãs e seus amigos. Ciranda de Pedra é sobre isso, sobre se perder e se achar, sobre tentar se ver no outro e falhar miseravelmente, porque, no fundo, no fundo, cada um de nós é um mundo inteiro e único.
Preciso falar ainda que os personagens desse livro, na maioria das vezes, não são nada agradáveis, e incluo a própria Virgínia nisso. No entanto, eles são profundamente humanos, cheios de nuances de luz e trevas, e acho que é isso o que nos cativa na leitura.
Enfim, Ciranda de Pedra é leitura obrigatória a qualquer brasileiro, a qualquer pessoa, aliás, pois os dramas humanos descritos nesse livro são universais. Lygia, com sua escrita profundamente humana, é um dos maiores presentes das literaturas brasileira e mundial. Leiam Lygia! Viva à Lygia!


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