Retrato em Sépia: ancestralidade e reconhecimento










Título: Retrato em Sépia | Autora:  Isabel Allende | Editora: Bertrand Brasil | Ano: 2001 | Nº de Páginas: 420 | Livro Digital Nota: 📖📖📖📖📖


Eu não aguentei. Tive que ler logo Retrato em Sépia, continuação de Filha da Fortuna de Isabel Allende. E olha que eu não costumo fazer isso. Geralmente, eu me proponho um tempo entre um livro e sua continuação (para não correr o risco de enjoar), mas a escrita da Allende tanto me encantou que tive que quebrar essa minha “regra”. 
Retrato em Sépia, apesar de tratar do mesmo universo de Filha da Fortuna, já não tem mais como protagonista Eliza Sommers. A história de Eliza é utilizada apenas como um ponto de partida para contar a história de outra personagem: Aurora Sommers/Del Valle, sua neta. 
Aurora é criada pela família materna até os cinco anos de idade, momento em que acontece uma grande tragédia e ela se vê “abandonada” aos cuidados da avó paterna, Paulina Del Valle. Aurora vai ser muito amada por Paulina e criará laços fortes e uma grande cumplicidade com a avó, mas sempre vai existir um elo solto, um lugar dentro de si que precisa se reconectar com seu passado e, para mim, Retrato em Sépia é sobre isso: sobre laços, sobre origens. Aurora vai ter que se reconectar com sua ancestralidade e história para se sentir completa, para descobrir quem ela é. 
Como não poderia deixar de ser, Retrato em Sépia vai se ater também à descoberta do amor e, quase que como uma maldição da família Sommers, Aurora vai ser rejeitada e frustrada pela sua primeira experiência amorosa. Como eu já tinha falado na resenha sobre Filha da Fortuna, Allende escreve sobre sentimentos pela perspectiva feminina e é quase impossível não se identificar com muitos deles, pelo menos para mim, que tenho fortes tendências ao “drama queen” (risos). 
Apesar de Retrato em Sépia ser igualmente maravilhoso, é inegável que Filha da Fortuna tem um cantinho mais especial no meu coração. No entanto, a história de Aurora é tão forte e inspiradora quanto a da sua avó Eliza, aliás, quanto a de suas avós, já que Paulina não fica para trás se a gente for falar de garra. Quanto a mim, já preciso ler outro livro da Allende.

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