Hibisco roxo: colonialismo, racismo e machismo






Título: Hibisco Roxo | Autora:  Chimamanda Ngozi Adichie | Tradutora: Julia Romeu | Editora: Companhia das Letras | Ano: 2011 | Nº de Páginas: 328 | Livro Digital Nota: 📖📖📖📖📖 + ❤️





Comecei a ler Chimamanda pelos seus "manifestos": Sejamos Todos Feministas e Para Educar Crianças Feministas. Foi a primeira vez que realmente abri os olhos ao feminismo, pois até então eu não me via como uma mulher feminista. Chimamanda me fez ver o quanto assumir essa identidade é necessário. 
Eu já imaginava, sim, que seus romances fossem vir cheios de personagens que sofrem opressões machistas, quase sempre tão normalizadas. A gente sempre escreve sobre o que respira e vive, e eu sabia que a alma dessa escritora respirava justiça social e luta contra o machismo. Porém, eu não imaginava que seria tão intenso, tão avassalador. 
A história de Kambili é pesada, não só porque fala do machismo tão entranhado e normalizado dentro de sua própria casa, mas porque também retrata todos os males do abuso da autoridade parental, da religiosidade fanática, do colonialismo e do racismo estrutural, que, de tão cruel, faz com que as próprias vítimas o reproduzam e odeiem a si mesmas.  
Eugene, pai de Kambili, é a mais triste faceta do colonialismo branco europeu. Eugene odeia a sua própria cor, odeia a sua própria cultura, odeia a sua própria história, e faz da vida de sua família um verdadeiro  inferno, pois ele deseja que todos eles sejam algo que nunca serão, e que nem precisariam ser, que não deveriam ser. Eugene vive do ódio que sente e Hibisco Roxo nos encharca dele e nos faz definhar junto a Kambili, sua mãe e seu irmão. 
É impossível respirar durante algumas passagens de Hibisco Roxo, pois elas são doloridas demais. É impossível não identificar convergências entre a história de Kambili e as histórias reais que a gente vê na TV, ou ouve falar, ou que conhece. Chimamanda escreve sobre pessoas reais e isso é o que mais dói, que tudo aquilo não é só ficção. 
Hibisco Roxo ainda explora o aspecto histórico e político da Nigéria, que como todos os países que passaram por processo de colonização, possui uma democracia frágil. E, em algumas coisas, o livro parece contar também a nossa história. O livro parece falar do Brasil em muitas passagens. Não dá para não ver as semelhanças. 
Aconselho muitíssimo a leitura de Hibisco Roxo. A escrita da autora é uma das coisas mais fascinantes com que já tive contato, e nem um pouco complicada de ler. Pretendo ler todos os outros escritos por ela. Chimamanda é, com certeza, uma autora para ser lida o quanto antes por todo mundo! 

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