Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – Jack Thorne/JK Rowling/ John Tiffany (Editora Rocco)
Oitava
história?
Não sou louca de te dizer
que a história é completamente ruim, porque ela não é. Ela tem seus altos e
baixos, apresentando muita coisa do mundo bruxo que todo potterhead ama. No entanto, se você, assim como eu, cresceu junto
ao Harry, esperando o lançamento de cada livro e tem, na sua memória afetiva, a
personalidade de cada personagem bem gravada, ao ler Harry Potter e a Criança Amaldiçoada,
você pode se decepcionar um pouco. Pois, tudo o que você espera é reencontrar
seus “personagens preferidos da vida” e matar as saudades com uma nova
história. Porém, infelizmente, não é isso que você vai ter.
Confesso que me senti
incomodada no começo. Pareceu-me muito mais uma fanfic. Um Rony completamente desfigurado, quase um bobalhão; Hermione
política, e uma política meio incompetente; e o Harry? Nem sei o que dizer... Que
pai é esse que o Harry se tornou? Até o Draco perdeu a arrogância! São
personagens completamente novos.
Mas aí, decidi desencanar.
Tratei a todos como personagens desconhecidos, figuras que eu estava conhecendo
ali, naquelas páginas. E só assim consegui aproveitar a história. Apenas dessa
forma consegui sentir prazer na leitura. Quando os garotos começam a viajar no
tempo, dá até pra se empolgar. Às vezes, a história fica sem pé nem cabeça, mas
nada que estrague com tudo. E o livro acaba de uma forma satisfatória, um apelo
emocional ok. Ou seja, no final das contas dá pra se divertir.
Temos ainda que levar em
conta que a Jo não escreveu a peça sozinha (isso se ela contribuiu...) e a história
está escrita em formato de peça, ou seja, o autor não dispõe de descrição
detalhada do ambiente e dos sentimentos das personagens. É muito mais difícil
construir um personagem apenas com falas. A personalidade completa, as nuances
de emoção ficam por conta da atuação. Só assistindo à peça dá pra avaliar
realmente o resultado.
E por falar em atuação, o
tempo inteiro enquanto lia, fiquei imaginando como eles fazem para criar tantos
efeitos visuais ao vivo. No filme é muito mais fácil. É editado, têm inúmeros
programas de computador que fazem “a magia acontecer” com maestria e sem muitas
dificuldades. Mas e ao vivo? Bem diante dos olhos do público, como fazer isso
sem parecer fake? Gostaria muito de
assistir ao espetáculo para ver a magia acontecer bem diante dos meus olhos.
Enfim, se você espera
reencontrar o Harry, o Rony e a Hermione, nem leia a Criança Amaldiçoada. Você
vai se decepcionar. Muito melhor pegar um dos sete originais. Mas, se você não
tem essa expectativa, esqueça o trio dos sete livros originais e leia como se
desbravasse o desconhecido. Assim, você vai conseguir se divertir. E se você
tiver grana pra ir pra Londres assistir à peça, vá e depois vem aqui e me conta
se vale a pena! ;)



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