Helena - Machado de Assis (Editora Ática)
Romantismo por Machado de Assis
Helena é uma obra da fase romântica de Machado de Assis. No entanto, em Helena já podemos ver uma Capitu em construção. Helena é dissimulada em tantas e tantas passagens do livro, e é cercada de um mistério quase mortificante.
Os personagens são dúbios, aliás, como em
toda obra de Machado. Não existe ninguém completamente bom ou mau, sendo o
conflito do enredo dado pelas convenções sociais, pelos choques culturais. Ou
seja, Machado é brilhante, porque ele escreve a vida nua e crua, de forma
cativante e envolvente, fazendo suas críticas sociais nas entrelinhas do texto,
e sempre com aquela linguagem familiar, um tanto irônica.
O livro conta a história de Helena, filha bastarda do conselheiro Vale, que apenas é reconhecida após a morte deste. Em seu testamento, o conselheiro deixa claras as instruções ao seu filho legítimo Estácio. O rapaz deve acolher a irmã e inseri-la na sociedade carioca com toda a dignidade que ela merece. Porém, acontece algo que o conselheiro não poderia prever: uma paixão tão ardente quanto proibida entre os irmãos. E é a partir dessa relação incestuosa e velada que se desenrolará o romance.
Helena, como toda boa história do Romantismo, possui amores impossíveis e uma condenação à infelicidade eterna, com o bônus da peculiaridade que só a escrita de Machado de Assis pode oferecer. Helena, enfim, é uma prévia do grande escritor que Machado de Assis viria a se tornar



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